quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aula seis...

Diferentes autores e abordagens

A Epistemologia convergente de Jorge Visca teve como pressupostos teóricos:
·         Epistemologia genética de Piaget,
·         Psicanálise de Freud
·         e Psicologia Social de Riviére.


Enquadramento
Na abordagem clinica: recorte conceitual com a finalidade de conhecer a realidade dentro de uma situações controladas;
Antes de Visca:
 


Epistemologia Convergente
·         método clínico
·         método com o qual se tenta conduzir a aprendizagem


Constante de Enquadramento

O ENQUADRAMENTO é uma palavra utilizada por Pichon-Rivière (criador do Grupos Operativos – GO)

ENQUADRAR significa a possibilidade de pensar/ sentir/ agir um contrato, de organizar um combinado, para podermos ter claro quando é possível cumpri-lo ou não e para podermos avaliar o porquê das possibilidades e das impossibilidades.
Estamos a falar de um contrato clínico psicopedagógico – escrito ou não. Fazemos um “contrato” – tempo de duração do atendimento em consultório de psicopedagogia em salas de resursos de escolas públicas, por exemplo.”
Fonte: (http://www.neaad.ufes.br/subsite/psicologia/obs15_2%20abordagem%20da%20epistemologia.htm)  

Algumas dessas constantes são:
·         tempo,
·         espaço,
·         freqüência,
·         caixa de  trabalho,
·         duração,
·         interrupções regradas e
·         honorários.


TEMPO

É interessante que as sessões tenham um intervalo entre uma e outra, o que chamamos de *tempo de descontaminação.

Espaços internos da entrevista

O conceito de campo
Conceito desenvolvido por Bleger que diz que:
“o conjunto de elementos interagentes num momento dado”
·         Campo ambiental (ou geográfico)
·         Exemplos são: o PP, a caixa de trabalho, o mobiliário...

·         Campo psicológico
·         Postura do entrevistado

·         Campo da consciência
·         Grau de consciência

Concordância e discordância de campos


Caixa de trabalho
·         É uma constante de enquadramento,
·         É um continente e precisa ser segura e sigilosa,
·         Tem conteúdos da crianças, sendo a replicação do diagnostico
·         Depende do estagio de pensamento, interesses, motivação, metas a serem atingidas...

“Visca nos diz que:
...cada caixa de trabalho é única, não apenas porque será usada por um único paciente (individual ou grupal), mas também no sentido de que não há caixas duas iguais, da mesma maneira que não existem dois indivíduos ou dois diagnósticos iguais (1987, p. 29).”
Fonte:

Reativos e distrativos de conduta
1.    Reativos: adequados ao tratamento
2.    Distrativos:
2.1. Distanciam-se de tal modo que impede o sujeito de fazer aproximações ainda que tangenciais da tarefa
2.2. Não são negativos, mas distanciam-se do foco das suas necessidades (resistência)

Freqüência
A freqüência se refere ao numero de vezes que o sujeito é atendido num tempo determinado, ele segue alguns critérios:
·         Necessidade do sujeito,
·         Tempo de perda (no caso de crianças pequenas o tempo que elas conseguem reter o aprendido é menor),
·         Tempo de elaboração,
·         Tempo do psicopedagogo,
·         E aspectos práticos.

Duração
A duração do tratamento pode mudar dependendo da demanda do paciente e do psicopedagogo.
·         De tempo não limitado, quando o Pp não determina uma duração;
·         De tempo limitado, quando os pais ou a escola limitam o tempo de tratamento;
·         De tempo limitado em função de um déficit ou do nível do déficit

Interrupção combinadas
Durante vezes é necessário interromper o tratamento por motivo de férias escolares, feriados, datas religiosas, viagens e outros. Lembrar sempre que o combinado não sai caro e negociar com os pais é sempre a melhor saída, o contrato é um ótimo recurso neste caso assim o Pp define quais serão as penalidades para faltas e quais serão os motivos aceitos para interrupção.

O cone invertido

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Winnicott e Morin

Donald Woods Winnicott


Donald Woods Winnicott (Plymouth1896 —  1971) foi um pediatra e psicanalista inglês.
Winnicott era filho de Elizabeth Martha (Woods) Winnicott e do Sr. John Frederick Winnicott, um comerciante que se tornou cavaleiro em 1924 após servir duas vezes como prefeito de Plymouth.
A família era próspera e aparentemente feliz, mas atrás desse verniz, Winnicott se viu como oprimido por uma mãe com tendências depressivas como também por duas irmãs e uma babá. Foi a influência do seu pai, que era um livre-pensador e empreendedor que o encorajou em sua criatividade. Winnicott se descreveu como um adolescente perturbado, reagindo contra a própria auto-repressão que adquirindo sua capacidade de cuidar ao tentar suavizar os sombrios humores de sua mãe. Estas sementes de autoconsciência se tornaram a base do interesse dele trabalhando com pessoas jovens e problemáticas.
Decidindo se tornar um médico, ele começou a estudar medicina em Cambridge mas interrompeu seus estudos para servir como cirurgião aprendiz - residente em um navio (destroyer) britânico, o HMS Lúcifer, durante a Primeira Guerra Mundial. Ele completou sua formação em medicina em 1920 e em 1923, no mesmo ano do seu primeiro casamento com Alice Taylor, foi contratado como médico no Paddington Green Children's Hospital em Londres. Foi também em 1923, que Winnicott iniciou sua análise pessoal com James Strachey (1887 – 1967), o tradutor das obras de Sigmund Freud para o inglês.
Em 1927 Winnicott foi aceito como iniciante na Sociedade Britânica de Psicanálise, qualificado como analista em 1934 e como analista de crianças em 1935.

Winnicott defende a ideia de que a personalidade de uma pessoa é feita através de experiências da infância.----- PAGINA 01 -----

"O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir."

Edgar Morin


Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum.
Formado em:
·         Direito,
·         História e Geografia.
Realizou estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia.
Autor de mais de trinta livros, entre eles:
·         O método (6 volumes),
·         Introdução ao pensamento complexo,
·         Ciência com consciência e
·         Os sete saberes necessários para a educação do futuro.

 BIOGRAFIA
 Nascido em Paris, 8 de julho em 1921, filho único de uma família judia Sefardi, seu pai, Vidal Nahoum, era um comerciante originário de Salonica. Sua mãe, Luna Beressi, faleceu quando ele tinha 10 anos. Ateu declarado, descreve-se como um Neo-marrano. Estudou direito, história, filosofia, sociologia e economia é um antropólogo, sociólogo e filósofo.
Em 1942, obteve a licenciatura em direito e em história e geografia.
Em 1941, Entra ao Partido Comunista, em tal momento que se sentia forte ao bastante para resistir a Alemanha nazista.
Entre 1942 e 1944, Tenente das forças combatentes francesas, adotando o seu nome de guerra; Morin, que a partir deste momento, assim ficou conhecido.
Em 1945, É transferido para a Alemanha ocupada (Estado Maior do Primeiro Exército Francês na Alemanha).
Em1946, como chefe do departamento de propaganda do governo militar francês.
 Escreve seu primeiro livro, L'An zéro de l’Allemagne ("O Ano Zero na Alemanha"), publicado em 1946, no qual descreve a situação do povo alemão no pós-guerra. O livro foi muito apreciado por Maurice Thorez, que o convida a escrever para a revista Lettres françaises.
A partir de 1949, distancia-se do Partido Comunista, do qual será excluído em 1951, por suas posições antistalinistas. Aconselhado por Georges Friedman que conheceu durante a ocupação alemã, e com o apoio de Maurice Merleau-Ponty, de Vladimir Jankelevitch e de Pierre George, entra para o CNRS(Centre National de la Recherche Scientifique)em 1950. Começa a escrever L'Homme et la Mort ("O Homem e a Morte"), lançado em 1951.
Em 1955, coordena um comitê contra a guerra da Argélia e defende particularmente Messali Hadj, pioneiro da luta anticolonial e um dos próceres da independência da Argélia.
Em 1960 funda, na École de hautes en sciences sociales (EHESS) o Centro de estudos de comunicação de massa (CECMAS), com Georges Friedmann e Roland Berthes, com a filosofia na forma de abordagem transdisciplinar do tema, e cria a revista Communications. Morin é também fundador da revista Arguments (1957-1963).
Em 1970, torna-se diretor de pesquisa do CNRS(Centre National de la Recherche Scientifique), será também, entre 1973 e 1989, um dos diretores do Centro de estudos transdisciplinares da EHESS, sucessor do CECMAS.

OS SETE SABERES NECESSÁRIOS
Morin alega que a frente das falhas complexas que as sociedades contemporâneas de que hoje passam, a forma de poder ser resolvidas, seria apenas com o estudo de caráter inter-poli-transdisciplinar.
No livro, Os sete saberes necessários à educação do futuro, Morin mostra o que ele mesmo dita de inspiração para o educador ou saberes necessários para se ter uma boa pratica educacional.
1º Saber - Erro e ilusão
2º Saber – O conhecimento pertinente
3 Saber – ensinar a condição humana
4º Saber – identidade terrena
5º Saber – Enfrentar as incertezas
6º Saber - Ensinar a compreensão
7º Saber - Ética do gênero humano

O PENSAMENTO COMPLEXO
Edgar Morin diz que é sistemático demais possuirmos um sapiens ou dois, em nossa autodenominação; é preciso acrescentar um demens, ficando: Homo sapiens sapiens demens, o que mostra o quanto somos descomedidos, loucos.

Todo homem é duplo: ao mesmo tempo que é racional apresenta certa demência.

·         Operador dialógico;
·         Operador recursivo ;
·         Operador hologramático.

Fonte: (Paulo Bis – trabalho apresentado para a disciplina de Psicologia Escolar do curso de Psicologia)

Aula cinco...

 A Clínica Psicopedagógica

Quando vamos tratar de clínica existem alguns pontos que são muito importantes e que devemos que nos ater.
A visão do consultório pelo paciente, algumas características básicas a este respeito são:
·         Espaço para diversidade de atividades,
·         Claridade,
·         Simplicidade (é preciso atender diversas idades),
·         Conforto,
·         Aconchego,
·         Beleza,
·         Funcionalidade,
·         E sigilo (paredes que o som não se propague).
O consultório funciona como um “espaço potencial”* entre o local das primeiras aprendizagens familiares e o das aprendizagens formais.

O mobiliário e objetos de uso:
·         Mesa de tamanho suficiente para diversos fins (alem de ser legal usar uma mesa retangular na qual o terapeuta e o paciente possam alcançar os 2 lados)
·         Quadro de giz ou branco,
·         Armários fechados (que possibilitem guardar materiais como o devido sigilo e nos quais a criança não tem livre acesso)
·         Armários abertos para materiais livres,
·         Outras coisas também podem ser encontradas fazendo parte do mobiliário como a casinha.

A sala:
·         Deve ser de material resistente e de fácil manutenção, sem esquecer do aconchego,
·         Deve ser vista com uma das constantes do enquadramento, e como tal devem-se evitar modificações, ou a realização desta devem ser feitas apenas quando necessário sempre com preparo dos pacientes para se despedir do antigo e dar boas vindas a nova sala.
·         A decoração deve ser agradável e que caracterize um espaço de trocas de aprendizagem.

Alguns psicopedagogos ainda fazem atividades extra-sala, que permitem a ampliação dos contatos com situações de aprendizagem.

Visca descreve outro recurso – a caixa de trabalho:
“Após montada, a caixa será sempre a mesma. Ela “aguardará” a criança, colocada e ficando sempre sempre no mesmo lugar. Ela oferecerá a cada encontro a mesma gama de possibilidades de ação. Entretanto, cada vez o aprendiz/ aprendente poderá abordar o material de forma distinta, ou não – a escolha é dele.
Se o aprendiz, em todos os encontros, repete-se pega uma folha de papel e faz o mesmo desenho, ou escreve a mesma coisa anterior, podemos arriscar/ sugerir dizendo que ele está preso ao conhecido e teme enfrentar novas situações. Isso é uma interpretação por inferência e referendada numa sensibilidade clínico psicanalítica. Então daí podemos mobilizar o aprendente outra vez.”


Ainda em relação ao trabalho direto com a criança outros recursos são bem vindos e muito utilizados:
·         EOCA (entrevista operatória centrada na aprendizagem)
·         Jogos:
·         Sorte: onde o acaso decide o vencedor
·         Estratégicos: onde é importante o habilidade de raciocínio.
·         Conteúdos escolares,
·         Exercícios de funções relacionadas com a aprendizagem (percepção, memória, agilidade, destreza viso-motora e outros).

O primeiro contato telefônico
O primeiro contato é de muita importância para a adesão do processo terapêutico, ele esta cheio de significado.
Ele vem carregado de angustia, expectativas e é o primeiro vinculo do terapeuta e a família. O terapeuta deve fazer a escuta e demonstrar empatia com a família da criança.

Mesma que sendo procurado a família mostra resistência ao processo de terapia, as vezes discordam da forma do encaminhamento, podem ser hotis, resistir ao enquadramento, “esquecerem” do dia e hora ou até o abandono do processo.

Primeiro Encontro
O primeiro encontro tem caráter de investigardor no qual o psicopedagogo fará a escuta da queixa.

Investigar a queixa:
·         Impossibilidade de reter o conhecimento,
·         Impossibilidade de olhar, fixar atenção,
·         Interesse/motivação,
·         Impossibilidade de aprender
A queixa deve ser escutada em cada momento e refletir sobre o seu significado.
A queixa é o primeiro parâmetro para a definição da seqüência diagnostica e das técnicas a serem utilizadas.

A primeira sessão diagnostica
O terapeuta:
·         Ansiedade do desconhecido o qual ele terapeuta deverá penetrar para entender e compreender,
o   “terei sucesso?”
o   “farei bom vinculo?”
o   “o que esperam de mim?”
Essas são algumas perguntas que nos fazemos sempre que recebemos uma criança nova para atendimento por outro lado ainda tem a ansiedade do paciente e da família, em relação ao desconhecimento do processo:
o   “teremos a ajuda que buscamos?”
o   “o que poderá surgir?”
o   “seriamos culpado?”
o   “terei que me envolver?”

Diferentes formas de primeira sessão
Cada terapeuta vai utilizar o que achar mais conveniente para iniciar o processo com a família e criança.
Alguns terapeutas chamam para a primeira sessão apenas os pais, observam o que eles trazem em relação a criança e a historia de vida familiar, outros chamam pais e crianças juntos e observam a interessam destes.
1.   Entrevista para definir a queixa
2.   Anamnese
3.   EFES (entrevista familiar exploratória situacional)
4.   EOCA (entrevista operatória centrada na aprendizagem)

1.   Entrevista para definir a queixa
Tem como objetivo a escuta, é uma entrevista simples na qual os pais ficam livres para falar sobre o que esta acontecendo com seu filho e a aprendizagem.

2.   Anamnese
É uma entrevista realizada que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma queixa. Em outras palavras, é uma entrevista que busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a queixa e o paciente.

(Modelo de anamnese: http://pt.scribd.com/doc/20136090/Anamnese-MODELOS-DE-FICHAS-PARA-AVALIACAO , tambem tenho um modelo que utilizava na clinica se quizerem posso enviar por e-mail)

3.   EFES
A entrevista familiar tem como objetivo a compreensao da queixa, conhecimento das relações familiares e espectativas, conhecimento que a familia tem sobre a Psicopedagogia, definição do contrato. Nesta entrevista estão presentes os pais e a criança.

4.   EOCA
A EOCA é uma entrevista que se centra na aprendizagem do paciente, mas ainda é um otimo recurso para a criação de vinculo com a criança.
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*Espaço potencial é uma expressão utilizada por Winnicott. Sobre o espaço potencial Winnicott afirma: "O brincar tem lugar no espaço potencial entre o bebê e a figura materna. Brincar desenvolve-se no espaço potencial de acordo com a oportunidade que o bebê tem de experenciar separação sem separação, e sua iniciação está associada com a experiência do bebê em desenvolver confiança na figura da mãe" (WINNICOTT, in ABRAM, p.226).